sexta-feira, 4 de junho de 2010

A presença de Deus



Na manhã seguinte, entramos no prédio às 8h30 para o culto dominical esperando ver aquela multidão
sonolenta com sua adoração desinteressada. Enquanto me encaminhava para sentar na primeira fileira, a
presença de Deus já estava naquele lugar de uma forma tão intensa que o ar estava “denso”: mal podíamos
respirar.
A equipe de louvor, visivelmente, se esforçava para continuar ministrando. Lágrimas jorravam. Estava cada vez
mais difícil tocar. Finalmente, a presença de Deus pairava tão fortemente, que eles não mais conseguiam tocar
ou cantar. O dirigente do louvor rompeu em soluços atrás do teclado.
Se houve alguma boa decisão que já tomei na vida, foi a daquele dia. Eu nunca tinha estado tão perto de
“pegar” Deus e não iria parar. Então, falei para minha esposa, Jeannie: “Continue a nos conduzir a Ele.” Jeannie
sabe como levar as pessoas à presença de Deus através da intercessão e do louvor. Calmamente, colocou-se à
frente e continuou a facilitar a adoração e ministração ao Senhor. Não era nada sofisticado, era algo singelo, era
a retribuição mais apropriada àquele momento.
A atmosfera me lembrava a passagem de Isaías, capítulo 6, algo que li e até mesmo ousei sonhar que poderia
experimentar um dia. Nesta passagem a glória do Senhor encheu o templo. Nunca entendi o que significava a
glória do Senhor encher um lugar. Já havia sentido Deus muito próximo, mas daquela vez, em Houston, quando
pensava que Deus já estava presente, mais e mais Sua presença enchia o santuário. É como a cauda de um
vestido de noiva que, mesmo depois da entrada da noiva na igreja, continua a entrar após ela.
Deus estava lá, não havia dúvidas quanto a isto. Porém, cada vez mais d'Ele continuava entrando no lugar até
que, como em Isaías, literalmente, encheu o templo. Algumas vezes o ar ficava tão rarefeito, que se tornava
muito difícil respirar. Parecia que o oxigênio vinha em pequenas porções. Soluços abafados percorriam a sala.
Em meio a tudo isto, o pastor veio a mim e perguntou: “Tommy, você está pronto para assumir o púlpito?”
“Pastor, estou receoso de subir até lá, porque sinto que Deus está prestes a fazer algo.”
Lágrimas estavam correndo pelo meu rosto quando disse isto. Não temia que Deus me abatesse, ou que algo
ruim acontecesse. Simplesmente não queria interferir e afligir a preciosa presença que estava preenchendo
aquele lugar! Por muito tempo, nós humanos, permitimos o mover do Espírito Santo até certo ponto. Mas,
quando perdemos o controle, logo puxamos as rédeas (a Bíblia chama isto de “apagar o Espírito” em 1
Tessalonicenses 5.19). Por muitas vezes, paramos no véu do tabernáculo.
“Sinto que devo ler 2 Crônicas 7.14, tenho uma palavra do Senhor”, disse meu amigo. Entre muitas lágrimas,
balancei a cabeça e disse: “Vá, vá!”
Meu amigo não é um homem dado a expressar seus sentimentos, é essencialmente um homem equilibrado.
Mas, quando começou a andar pela plataforma, mostrava-se visivelmente abalado. Naquele momento, tive
tanta certeza de que alguma coisa estava prestes a acontecer, que fui em direção à cabine de som no fundo da
sala. Sabia que Deus iria se manifestar, só não sabia onde.
Eu estava na primeira fileira, e sentia que algo poderia acontecer atrás de mim ou do meu lado. E eu estava tão
desesperado para pegá-Lo, que caminhei para o fundo da sala, enquanto o pastor se encaminhava para o
púlpito, dessa forma eu poderia perceber todo o ambiente. Não estava certo do que aconteceria na plataforma,
mas sabia que algo iria acontecer. “Deus, eu quero ser capaz de ver o que quer que o Senhor esteja prestes a
fazer.”
Meu amigo subiu para o púlpito no centro da plataforma, abriu a Bíblia e, calmamente, leu a arrebatadora
passagem de 2 Crônicas 7.14:
“... se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, e buscar a Minha
face, e deixar seus maus caminhos; então eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus
pecados, e sararei a sua terra.”
Então, ele fechou sua Bíblia, agarrou as bordas do púlpito com as mãos trêmulas e disse: “A palavra do Senhor
para nós, hoje, é que paremos de buscar Seus benefícios e busquemos a Ele. Não vamos mais buscar Suas mãos,
mas sim a Sua face”.
Naquele instante, ouvi o que parecia ser o eco de um trovão, e o pastor foi, literalmente, tomado e lançado a
uma distância aproximada de três metros do púlpito. Quando ele foi arremessado para trás, o púlpito caiu para
frente. O belo arranjo de flores, que estava em frente, caiu no chão. Porém, antes que o púlpito batesse no
chão, ele já estava partido em dois pedaços. Havia sido partido em dois, como se um raio o tivesse atingido!
Naquele instante, o terror tangível da presença de Deus encheu aquela sala. (Nota: O púlpito era feito de um
plástico acrílico de alta tecnologia. Este material, segundo os engenheiros, é capaz de suportar milhares de
quilos de pressão por metro quadrado).

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